CriptoGinga une cidadania digital e cultura popular em ciclo de formação na Comunidade Carrapato, na zona rural do Crato
Iniciativa alia cuidados digitais e tradições ancestrais na Comunidade Carrapato, na zona rural do Crato. Programação artística é fruto de parceria com o CCBNB.
Em junho, a região do Cariri cearense recebe a CriptoGinga, um projeto que propõe uma forma inusitada de defesa no mundo virtual: a ginga. Unindo discussões sobre tecnologias emergentes e saberes da educação popular, o evento promove um ciclo de formação híbrido e gratuito, culminando em uma imersão na Comunidade Carrapato, no Crato, em meio às tradicionais celebrações da Festa da Colheita.
O projeto, que busca ensinar como “estar na rede sem virar peixe”, foi um dos selecionados pelo Edital Nanet, iniciativa voltada ao fortalecimento de redes e narrativas sobre direitos digitais no Brasil. A realização conta com o apoio estratégico da Abong (Associação Brasileira de ONGs), do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), da Ação Educativa e do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), instituições referência na defesa de direitos e democracia no país.
Inspirada no movimento global das criptofestas, a CriptoGinga propõe um espaço descentralizado onde pessoas de qualquer nível de conhecimento podem aprender ferramentas básicas de proteção digital. Diferente de um curso de informática tradicional, a criptofesta funciona de forma horizontal: é um encontro comunitário para compartilhar técnicas de privacidade, como o uso de aplicativos de mensagens seguras, navegação anônima e gestão de senhas. No Cariri, essa lógica ganha o sotaque da educação popular, transformando o aprendizado técnico em uma construção coletiva entre pessoas da comunidade de diferentes gerações.
Tecnologia, esquiva e celebração
A CriptoGinga propõe que a segurança digital seja entendida como um ato de cuidado coletivo e proteção do corpo que habita ambas as realidades: física e digital. As atividades começam em um ciclo online nos dias 08, 11, 15 e 18 de junho, preparando o terreno para o encontro presencial do dia 27 de junho. No Carrapato, a programação será integrada aos festejos da colheita, festividade tradicional da Comunidade Carrapato que celebra a terra e a fartura da agricultura local.
O encontro presencial será organizado em quatro trilhas formativas para todas as idades, inspiradas na capoeira:
Cocorinha: Rodas de conversa e “miolo de pote” para desmistificar a rede.
Meia-lua: Apoio prático na configuração de celulares.
Negaça: Debates sobre riscos e oportunidades das tecnologias emergentes.
Volta ao Mundo: A festa como metodologia, unindo o aprendizado à cultura popular do Cariri.
Arte e Parcerias Locais
Além das formações e rodas de conversa, a CriptoGinga conta com uma programação musical, viabilizada através de uma parceria com o Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB) Juazeiro do Norte. A grade inclui coco de roda e maracatu, reforçando o compromisso de integrar os cuidados digitais ao cotidiano do Cariri.
A iniciativa é construída pelo Instituto Eledewá em parceria direta com a Associação Comunitária Sítio Belo Horizonte, reafirmando a importância de descentralizar os debates tecnológicos. “Na internet, quem não ginga acaba levando rasteira. Nossa missão é tirar a tecnologia da tela e trazer a energia para o corpo, celebrando a colheita da comunidade enquanto fortalecemos nossas redes de proteção”, afirma Nirvana Lima, idealizadora e gerente do projeto.
SERVIÇO
Evento: CriptoGinga
Ciclo Online: 08, 11, 15 e 18 de junho de 2026. As inscrições serão feitas online, por meio de formulário.
Encontro Presencial: 27 de junho de 2026, das 08:30 às 23:30.
Local: Comunidade Carrapato Cultural (Crato, CE)
Instagram: @criptoginga
Participação: Gratuita e aberta a todas as idades, mediante inscrição.
Informações para a imprensa:
Nirvana Lima | criptoginga@proton.me
